quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

As Crônicas de um Assassino - Capítulo 1: O Carro Preto


Crônicas de um Assassino
Capítulo 1 – O Carro Preto


O carro preto acelerou. Passou violentamente por uma pequena cratera que se abria no asfalto, inundada devido as gordas gotas de chuva que despencavam do céu levemente nublado, espirrando água pela rua já encharcada. A noite, por mais que fosse chuvosa e nublada, ainda apresentava um céu poucamente iluminado com uma lua amarela e cheia se espreguiçando esporadicamente entre as muitas nimbus. Sua fraca luz, combinada com a de alguns postes espalhados pela quadra, era apenas o suficiente para mostrar que o carro era um Peugeot 260. Dentro dele escutava-se apenas o barulho das gotas de chuva batendo fortemente contra a lataria.



Pouco à frente, mais ou menos na metade da quadra, haviam dois policiais encostados a um carro, patrulhando o local. Qualquer pessoa que passasse seria barrada, ambos policiais pensaram. O carro parou. Ao ver as luzes tão conhecidas da sirene da polícia, algo no assento de trás gemeu. Não, não era um gemido. Era um grito. Um grito abafado por uma mordaça. Havia algo se debatendo, inutilmente, para se livrar de cordas que o amarravam naquele assento.
Um dos policiais se aproximou, mas, surpreendentemente, o carro preto acelerou tão rápido que em um piscar de olhos já havia virado a esquina. Os dois policiais, já dentro do carro, chamaram outros veículos e foram atrás do motorista do carro preto.
- É um Peugeot 260, preto e com a placa “EVE-1109”. Repito: um Peugeot 260, preto e com a placa “EVE-1109” – Disse, rapidamente, o policial que não dirigia pelo rádio.
Poucos minutos depois, já havia 4 veículos perseguindo o carro preto. Dentro dele, o motorista, mesmo não preocupado com o barulho ensurdecedor das sirenes vindo de todas as direções, dirigia com perfeição, manobrando e desviando de qualquer carro que viesse a atrapalhar, mesmo na contramão. Mas ele sabia que não podia ficar a noite inteira assim. Ele acelerou cada vez mais. A confusão naquela pequena cidade era grande. O barulho da chuva, das sirenes, do motor dos carros trabalhando ao máximo.
A cada segundo, a cada curva, a cada carro que passava, o Peugeot 260 se afastava mais e mais da polícia. O único jeito de pegá-lo era encurralá-lo. Mas, quando a polícia finalmente consegue trancá-lo, o carro segue numa linha torta, sai da rua e bate num poste, explodindo. Os destroços do carro voaram para todas as direções, ainda fumegantes.

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